quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ilha

Juntando água de chuva
Furando côcos, um a um
Passando lama na pele
Esforço inútil é esforço algum

Tentei o máximo que pude
Onda a onda, sem açude
Sem ter um amigo, um divã
Sem ter a saída da mãe

Risquei três letras na areia da minha praia.

O último fósforo.
Se puder me ouvir, se vier,
Alguém, qualquer um,
Salve minh'alma, se houver.

Eu tentei pedir socorro
No décimo oitavo dia em jejum
Falhei, na areia fina
Só tinha IRA, não tinha SOS algum.

Às vezes a gente não entende
Que está preso na ilha
Porque é a ilha que prende a gente.

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